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Espírito Santo de Deus

Espírito Santo é "fogo que se alastra", exclama Dom Geraldo.

Maurício Rebouças
Canção Nova Notícias, Aparecida.

Natalino Ueda/Canção Nova

Dom Geraldo Majella: O Espírito é a força motora, indicadora do caminho da missão da Igreja.
"Superabundância incontida, riqueza criadora, fonte borbulhante, fogo que se alastra". Estas foram algumas das expessões utilizadas pelo arcebispo de Salvador (BA), Dom Geraldo Majella Cardeal Agnelo, ao falar do Espírito Santo, na missa da Solenidade de Pentecostes, neste domingo, dia 27.  O cardeal presidiu a celebração na Conferência de Aparecida (SP) e ressaltou que a manifestação do Espírito Santo deu início à última fase da história da salvação.

"Esse acontecimento da vinda do Espírito Santo tem uma projeção para o futuro, para o momento em que todas as nações subirão a Jerusalém, para celebrar a festa em que o Senhor voltará trazendo consigo a Jerusalém celeste", apontou.

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Pentecostes é a festa celebrada 50 dias após a Páscoa, na qual os cristãos revivem o momento do surgimento da Igreja, há cerca de 2 mil anos. O Espírito Santo foi derramado sobre apóstolos e a Mãe de Jesus que estavam  rezando em Jerusalém. Após o fato, eles passaram a evangelizar sem medo de perseguições.

LEIA esta homilia de Dom Geraldo Majella na íntegra:

Meus irmãos, minhas irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo!

No dia de Pentecostes, estavam reunidos naquele mesmo lugar, os discípulos, quando Jesus tinha comido a Páscoa e instituído o Sacramento da Eucaristia e do Sacerdócio. Agora, para esperar o Espírito Santo. E o Espírito Santo veio, se manifestou, desceu sobre eles na forma de chamas ardentes.

Meus irmãos, os judeus celebravam também o seu pentecostes. Era uma festa agrícola que concluía o tempo pascal da colheita do trigo. Pentecostes, para nós, é uma festa que conclui o nosso tempo da Páscoa com o acontecimento da vinda do Espírito Santo. É uma colheita completa do dom de Deus da nossa salvação que nos deu Jesus como nosso único salvador e redentor e o Espírito Santo para ser a alma da Igreja, para transformar a cada um de nós, no batismo, em filhos de Deus, para nos restabelecer também todas as vezes que cairmos e nos arrependermos e pedir perdão, para nos refazer como filhos de Deus muito queridos.

O Pentecostes cristão tem tudo de acontecimento conclusivo. O dom do Espírito Santo que se tornou visível sob a forma de línguas de fogo para fazer os discípulos capazes de anunciar o Evangelho a todas as nações, prefiguradas sob os 17 povos elencados na descrição do livro dos Atos dos Apóstolos.

Esse acontecimento da vinda do Espírito Santo tem uma projeção para o futuro, para o momento em que todas as nações subirão a Jerusalém, para celebrar a festa em que o Senhor voltará trazendo consigo a Jerusalém celeste.

São Paulo, ele nos falou nesta Carta aos Coríntios e também na Carta aos Romanos como é precioso o dom do Espírito Santo, como é importante para nós. Ele trata, Paulo, a vida do homem que adere a Deus em contraposição ao homem sem Cristo. No momento, o homem unido a Cristo, o Espírito que é princípio de vida substitui a carne que é princípio de morte. Não se trata de uma contraposição externa, mas ela abraça o ser, o agir, o viver, o inclinar-se do homem. Contempla não somente o presente, mas também o futuro, porque dela depende o destino de vida ou de morte.

São Paulo pensa no homem completo. Carne significa, para ele, a pessoa fechada em si mesma, em seu egoísmo. O batizado em Cristo recebeu o Espírito Santo, isto é, tornou-se aberto a Deus e ao próximo na caridade, por graça do Cristo.

A relação filial do batizado com Deus é da mesma ordem do Unigênito de Deus, do Filho de Deus. Mesmo que a criatura humana não seja da mesma natureza, mas o é por adoção. A conseqüência é o direito, por herança, da glória que o Cristo já possui, porque a vida moral deve ser conduzida segundo o Espírito do amor, da caridade.

No evangelho, nós ouvimos que o Espírito Santo nos ensinará toda coisa. Jesus fala do Espírito já como no momento e despedir-se dos apóstolos, dos discípulos. Por isso Ele chama o Espírito Santo, "o outro consolador", porque o primeiro nosso consolador é Jesus. Ele continuará o papel até agora desempenhado por Jesus, no tempo de sua ausência.

O Espírito não é dado ao mundo, mas somente aos discípulos, isto é, a quantos respondem com amor ao amor do Pai. "Se alguém me ama, meu Pai o amará e nos viremos a ele".

A diferença e distinção entre o mundo fechado em seu egoísmo e aqueles que amam Jesus se revela na observância da sua Palavra. Quem ama Jesus, será amado pelo Pai, o qual mandará o Espírito Santo, que será para a Igreja e para cada cristão voltado para Ele, a força dinâmica que faz viva e sempre atual a interpretação da palavra revelada.

É interessante observar como os inícios da Igreja têm aspectos iguais aos inícios da vida de Cristo. Jesus inicia sua atividade evangelizadora com o discurso na sinagoga de Nazaré, depois de ter recebido o batismo. A Igreja começa sua missão com o discurso de Pedro em Jerusalém, depois de ter recebido o batismo do Espírito.

A efusão do Espírito é um acontecimento que diz respeito a todo o futuro da Igreja, porque dá origem à comunidade cristã que existirá até o último dia do mundo. Começa, portanto, a última fase da história da salvação, na qual o mesmo Jesus, feito pela ressurreição Senhor da história, continua por meio do Espírito a sua atividade salvadora com uma dimensão universal. Todos foram repletos do Espírito Santo e começaram a falar.

A iniciativa e o conteúdo do anúncio é obra do Espírito Santo. O Espírito é a força motora, indicadora do caminho da missão da Igreja. O Espírito infunde força, coragem e liberdade de palavra para superar todas as dificuldades que os missionários encontrarão no exercício do anúncio do evangelho.

O Espírito não tem medida, mas é profissão de vida, superabundância incontida, riqueza criadora, fonte borbulhante, fogo que se alastra. "Mandai, Senhor, o vosso Espírito e toda a terra será renovada".

Meus irmãos, minhas irmãs, caminhamos para a conclusão da V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe, convocada e iniciada pelo Papa Bento XVI, para buscarmos todos, bispos e todo o povo de Deus, ser discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n’Ele nossos povos tenham vida. Porque Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida,

A fé em Deus tem animado a vida e cultura dos povos da América Latina e do Caribe. Na atualidade, esta mesma fé deve enfrentar sérios desafios, lembra o Papa. A esse respeito, a V Conferência reflete sobre esta situação, para ajudar os fiéis cristãos a viver sua fé com alegria e coerência, a tomar consciência de ser discípulos e missionários de Cristo, enviados por Ele ao mundo para anunciar e dar testemunho da nossa fé e de nosso amor em Cristo.

A prova de nossa fé é o amor, lembra o Papa. Ser discípulos e missionários de Jesus Cristo implica, portanto, em segui-Lo, viver em intimidade com Ele, imitar seu exemplo e dar testemunho.

Com a proteção de Mãe de Deus e nossa, a Senhora Aparecida, queremos ser fiéis servos como Ela, para aderirmos com amor à Pessoa de Jesus, vivendo seu evangelho, a fim de que o mundo conheça Jesus, o único Salvador e Redentor. Assim seja

 

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