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Como lidar com as perdas e o luto em Família?

O processo do desenvolvimento humano neste mundo,  envolve,  sempre,  perdas e ganhos. Na infância predomina os ganhos; na velhice as perdas. As perdas não são representadas somente pela morte em si. Por exemplo, perda de um ente querido. Mas por diversas “pequenas mortes” ao longo das fases evolutivas: perda de emprego (salário), da posição social, de algum cargo importante, uma reprovação em aula ou em algum concurso, etc.. Cada perda deve servir de aprendizado e amadurecimento humano. Estas inevitáveis perdas são experiências universais que atingem todas as pessoas, mas que podem ser facilmente contornadas se for  trabalhadas. Entretanto, quando se trata da morte de algum ente querido, o núcleo familiar fica profundamente abalado ou até desmontado.

O importante é enfrentar a  situação, não negar o sofrimento pela perda, pois a dor, de uma forma ou de outra, precisa ser vivenciada.  Uma rede de apoio familiar  é fundamental para a elaboração e assimilação desse luto. Porquanto, a dor de uma separação, quando compartilhada com os demais, torna-se mais suave, leve e integrada. Após a perda de algum ente querido é  necessário uma reprogramação da vida, construindo novos vínculos com os objetos e pessoas que permanecem. Por exemplo, o uso de alianças por pessoas viúvas. Pois, quando se casa o juramento entre os cônjuges é: “até que a morte nos separe”. Isso tem uma conotação muito forte, quando se está vivo. Ora, com a morte não há mais sentido no uso da aliança. É interessante lembrar que a duração do luto assume formas diferentes e singulares em cada pessoa. O apoio dos amigos, tais como: visitas de solidariedade, escutas, aconselhamentos, abraços, são indispensáveis. Mas a força decisiva está dentro da pessoa enlutada.  Segundo o Psicólogo humanista Norte-americano Carl Rogers(1902-1987), toda a pessoa humana carrega dentro de si uma grande força ou reserva interior, capaz de ajudá-la na superação de qualquer problema existencial.  A poesia de Almir Sater enfatiza esta ideia: “cada um carrega em si o dom de ser capaz” (Canção: tocando em frente).

O luto  tem cinco fase:

1- Negação: o enlutado sabe o que aconteceu, mas não permite que o sentimento se manifeste.

2- Revolta: o enlutado culpa alguém pela perda.

3- Depressão: é a pior fase do luto.  Pois, leva o enlutado a revoltar-se contra si mesmo, se fechando ou isolando. O isolamento e a rejeição do convívio social potencializam a tendência depressiva.

4- Aceitação: O enlutado compreende e aceita o que aconteceu.

5 – Consolação ou conformação: nesta fase a dor vira saudade e a saudade se transforma no amor que permanece. O enlutado aprende a acomodar a dor dentro de si e percebe que está sobrevivendo.

Em fim, a morte deixa uma dor que ninguém,  a não ser o tempo,  pode curar.  Mas o amor deixa memórias que ninguém pode apagar. Lembremos que nossos entes queridos não desapareceram nas trevas do nada: a esperança assegura-nos que eles estão nas mãos bondosas  de Deus. E  a melhor maneira de comunicar com os antepassados falecidos  é rezando por eles. O povo de Deus, na Bíblia, guardava sete dias de luto em oração pelos mortos (2  Macabeus 12, 44.45; Gn 50,10; 1Samuel 31,13, Judite 16,24). Daí que surgiu a piedosa tradição eclesial da missa de 7º dia. A oração pelos que morreram, além de ajudá-los no encontro final com Deus, torna mais eficaz a intercessão deles em nosso favor. Lembre-se: quanto melhor vivermos nesta terra, tanto maior a felicidade a ser partilhada com os nossos entes queridos no céu.  Finalizo lembrando as palavras do Papa Francisco: “A pessoa amada falecida não precisa da nossa tristeza, nem deseja que arruinemos a nossa vida”.
Pe. Deusdédit é Pároco da Paróquia Coração Imaculado de Maria (Cuiabá) e Vigário Geral da Arquidiocese

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