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A vida humana é inviolável

A vida humana tem sua origem e razão de sua dignidade no ato criador de Deus. Devemos olhar a vida com dom e como benção do bondoso Deus. A fragmentação da pessoa humana, ou seja, considerar o ser humano, apenas na dimensão corpórea (física), Psicológica(emocional), biológica ou mero fruto da cultura em que a pessoa humana está inserida, é grave risco de reducionismo. Precisamos olhar a vida humana na sua totalidade, na sua integralidade, incluindo sua dimensão espiritual.  O secularismo, o consumismo e o hedonismo, contribuem para a perda da concepção cristã do homem e da sociedade. Assim afirmou Bento XVI: “Quem exclui Deus de seu horizonte falsifica o conceito de “realidade” e, em conseqüência, só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas”(Discurso inaugural de Aparecida)
A teologia da revelação e o existencialismo Cristão  nos ensinam que a fé é um componente antropológico. É o mais profundo núcleo existencial da pessoa humana. Ao tomar consciência desse núcleo espiritual ou existencial a pessoa é impelida ao encontro  com o mundo,  com o próximo e com Deus..

A religião é referencial moderador do comportamento humano e até do comportamento cientifico, sobretudo, no campo da transmissão da vida humana. A Igreja não anda na contramão da historia, com me perguntou um repórter. Pelo contrario a Igreja louva e glorifica a Deus, e se encanta com os avanços e as maravilhas das conquistas cientificas. Entretanto, o que a Igreja deseja é que  todas as buscas do homem, sejam feitas à luz da ética da vida, do respeito pela sacralidade da vida. Isto é, buscando sempre aquilo que é bom para a preservação e aperfeiçoamento  da vida  humana e do planeta. E não para a sua destruição!. É a ciência a serviço da vida e do bem do e da humanidade.

A bioética, uma ciência relativamente nova, inaugurada pelo Oncologista Americano: Van Rensselaer Potter, com a publicação do seu livro sobre Bioética: Ponte para o futuro (1971), desencadeou no mundo, sobretudo na comunidade cientifica, um processo de reflexão sobre os limites e balizamentos éticos da Ciência. A bioética, de cunho personalista que é a corrente adotada pela Igreja, tem como objetivo indicar os limites  e as finalidades da intervenção do homem sobre a vida Humana. É  uma nova disciplina que combina o conhecimento biológico(científico ) com o conhecimento dos valores humanos. Podemos afirmar: uma “ponte”  entre duas culturas: a cientifica e a humanística . E o principio fundamental da bioética personalista, é o principio da defesa da vida física como valor fundamental, o qual, ressalta a sacralidade e a inviolabilidade da vida humana, desde a sua concepção até o seu declínio natural. O respeito pela vida, a sua defesa e a sua promoção representa o primeiro imperativo ético do homem diante de si mesmo e dos outros.
 

Não raro, a Igreja  é apresentada, sobretudo pela mídia, como expressão do obscurantismo anti-científico, com alguém  me disse: “na contramão da historia e da ciência”. Na verdade o impasse entre ciência e a Igreja está precisamente na concepção diferente em relação ao sentido da vida, do matrimônio,  da sexualidade, da saúde, do sofrimento e da realização humana. A sociedade secularizada é desvinculada dos valores cristãos.
É muito oportuno ouvir neste momento da frase do Apóstolo Paulo: “Não vos conformeis a este mundo”(Rom.12,2). A Igreja não deve concordar com tudo o que hoje se sustenta em nome do cientificismo. Ela existe para lembrar ao mundo os valores humanos e cristãos que enriquecem e enobrecem a vida  na sua totalidade e a convivência social.
 

Para muitos a Igreja se apresenta como a  Igreja do “Não”. Mas na verdade  somos a Igreja do “Sim”. Sim ao direito de nascer e viver com dignidade! Sim ao direito de ser original e irrepetível(clonagem)! Sim à vida de todos, em todas as suas formas e manifestações! Sim às pesquisas levadas adiante com seriedade e serenidade, sem sensacionalismo e vãs promessas! Sim à pesquisa com células adultas  visando a terapia e respeitando as normas éticas! Sim aos empenhos da ciência por minorar os sofrimentos, inclusive de doenças de cunho genético, mas sem esconder o mistério do sofrimento e da cruz como caminhos de crescimento humano! Sim às infinitas manifestações dos milagres da vida !.

Desejamos que esta campanha da fraternidade, desperte na Igreja e na sociedade a espiritualidade da vida. O significa espiritualidade da vida? É o respeito pela sacralidade da vida humana. Isto é, olhar para o próximo como imagem e semelhança de  da Trindade. Pois, assim fala as sagradas letras: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança ”(Gen1,26) 
Hoje estamos perplexos e atônitos diante da desvalorização da vida. Às vezes, por muito motivo banal, a pessoa humana é agredida, violentada, trucidada e até assassinada! Basta de violência! Nosso  Deus é o Deus da vida e nos convida hoje, pela boca de Moisés: “Escolhe, pois, a vida” (Dt.30,19).

Pe Deusdédit é Pároco da paróquia C. Imaculado de Maria e Vigário Geral da Arquidiocese de Cuiabá

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