Economia e Vida

Economia e vida
Na 24ª edição do VINDE E VEDE foi lançada a 48ª Campanha da Fraternidade, promovida pela CNBB e dinamizada por todas as Dioceses do Brasil. Este ano o tema será: ECONOMIA E VIDA, e o lema “VOCÊS NÃO PODEM SERVIR A DEUS E AO DINHEIRO (MT 6,24)”. Pela terceira vez, temos uma campanha ecumênica, isto é, promovida em conjunto com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs- CONIC, como aconteceu em 2000 e 2005. São as seguintes Igrejas membros do CONIC: Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB),Igreja Episcopal Anglicana do Brasil(IEAB), Igreja Presbiteriana Unida do Brasil(IPU) e Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia(ISOA). O Objetivo geral  CF 2010 é: “ Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum, em vista de uma sociedade sem exclusão” . Vamos pensar, nesta campanha, sobre a expressão disjuntiva pronunciada por Jesus: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro (MT 6,24)”.  Esta divina sentença é completada por outra passagem bíblica: “Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde as traças e os vermes arruínam tudo, onde os ladrões arrombam as paredes para roubar (MT 6, 19-20)”. Jesus vivia aquilo que pregava e pregava aquilo que vivia. Por isso, pregava com autoridade. Toda a sua vida foi um testemunho de simplicidade, desprendimento, de solidariedade com  os pobres  e liberdade em relação aos bens materiais.  A afirmação de Jesus não é negação do dinheiro ou proibição dos bens materiais.  Até por que, o dinheiro é uma realidade organizadora da nossa vida pessoal e familiar. É uma realidade estruturante da vida dos homens e da  sociedade. A forma pela qual atualmente organizamos a vida em sociedade nos faz extremamente dependentes do dinheiro para a sobrevivência.   Precisamos, sim, do dinheiro para o bem estar pessoal e familiar.  Então como entender as palavras de Jesus? Jesus nos ensina que não devemos  idolatrar o dinheiro, não devemos adorar a Deusa da riqueza e não ser dominado pela ganância e o egoísmo, raiz de todos os males.  Condenou  a riqueza adquirida  desonestamente! Não podemos absolutizar  um valor transitório e relativo que é o dinheiro. Devemos, sim, nos apegar aos valores permanentes que não passam, tais como: O amor, a fraternidade, a solidariedade e a comunhão de vida com irmãos. O encontro de Jesus com o rico Zaqueu retrata bem esta verdade. “Zaqueu, de pé (convertido), disse ao Senhor: Eis que dou metade dos meus bens aos pobres e se fraudei alguém, restituo-lhe o quádruplo (LC 19,8)”.  Não sabemos quantas pessoas, na época, foram logradas ou lesadas por Zaqueu. Porém, após a conversão,  Zaqueu  demonstra desapego e liberdade diante de seus bens. A sua conversão é uma lição para o mundo. Vem nos lembrar que a renovação do homem  e do mundo passa pela partilha dos bens! É precisamente por isso, que campanha da  fraternidade é celebrada na Quaresma, tempo forte de conversão e renovação espiritual. Por isso, a CF quer contribuir, também, para vivência do espírito quaresmal, promovendo a conversão da pessoa em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e social. A doutrina social da Igreja, desde Leão  XIII, vem acentuando, com muita veemência,   a destinação universal dos bens e das riquezas , frutos do progresso humano. Acima de tudo está o bem comum! O bem comum é o conjunto de condições sociais que permitem e favorecem as  pessoas no desenvolvimento integral da personalidade. Lembremos que “a riqueza de uma nação não se mede só por critérios quantitativos, mas pelo bem estar do seu povo (PIO XII)”. Portanto, a economia deve estar a serviço da vida e do bem comum. O dinheiro, os bens e as riquezas  são meios para a plenificação da vida e construção de um mundo melhor para todos. A parceria ecumênica nesta Campanha, além de testemunhar a unidade das Igrejas Cristãs, quer, também,  ajudar a construir novas relações, apontando os princípios da justiça, do amor e da solidariedade para a convivência social. A vida em fraternidade é expressão do Evangelho e testemunha a nossa condição de filhos e filhas de Deus. A CF vem nos questionar: A quem serviremos? À lógica do sistema que privilegia o mercado financeiro, o lucro e o desenvolvimento cego aos limites das possibilidades dos recursos naturais que já se esgotaram (meio ambiente) ou às novas lógicas de solidariedade, do amor da justiça, do bem comum,  da fraternidade que são as bases da sociedade desejada por Deus e pregada por Jesus?
Pe. Deusdédit é sacerdote Diocesano, Pároco da P. Coração Imaculado de Maria, membro do CONIC de Cuiabá e Vigário Geral da Arquidiocese de Cuiabá.

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