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Deus abençoe as famílias!

A comissão nacional da pastoral familiar comemora todos os anos, no mês de agosto, com início no dia dos Pais, a Semana nacional da família. Neste ano o tema é: “Eu minha casa serviremos ao Senhor”( Jos. 24,15). Esta semana foi instituída para chamar a atenção das Igrejas, da sociedade, dos governos e responsáveis políticos para a importância da família como instituição fundamental ao desenvolvimento humano e cristão. A semana da família é uma homenagem aos Pais, colaboradores de Deus na transmissão da vida. Realmente, a família é o núcleo vital e célula indispensável na formação de verdadeiros cidadãos. A família, no plano natural, é a primeira e fundamental expressão da natureza social do homem.

É uma comunidade de pessoas, a mais pequena célula social, e como tal é uma instituição fundamental para a sociedade. A família é uma instância decisiva para o desenvolvimento da sociedade e é o lugar privilegiado para forjar no coração do homem os valores perenes, sejam eles espirituais ou civis. É dentro da família que se forma o bom cristão e o honesto cidadão! Portanto, é o bem maior da pessoa humana. Porquanto, a família é o espaço próprio e insubstituível para que um homem e uma mulher possam, através do matrimônio, gerar e educar seus filhos no exercício da família cidadã.

A família é o grande patrimônio da humanidade, porque ela é o berço do ser humano. Nela se dá o nascimento e o crescimento do homem. Por isso, podemos afirmar que na família está o DNA da humanidade, já que no DNA de uma pessoa está tudo aquilo que ela vai ser no futuro. A família, como instituição natural, é a grande escola de virtudes sociais e modelo de convivência pautada no amor, na bondade, na ternura e no perdão recíproco. Realmente, o perdão é o remédio para curar todas as feridas causadas pelas brigas, discórdias e traições conjugais. Por isso, o momento atual exige da nossa ação evangelizadora um profundo e renovado ardor missionário para ajudar as famílias na realização de sua missão na Igreja e no mundo.

No contexto atual, temos dois grandes desafios em relação à unidade da família: O primeiro é o crescimento assustador do número dos Divórcios. Existem dados oficiais apontando para o aumento das separações por causa da pandemia. Na verdade a pandemia fez aflorar a alguns problemas não resolvidos na vida dos casais. O isolamento só potencializou o problema. As separações são causadas, sobretudo, pelo improvisamente do casamento, ou seja, a falta de uma boa e remota preparação. Os relacionamentos fragilizados, sofrem muito mais com os impactos e a má influência dos meios de comunicação, sobretudo das novelas, as quais, fazem apologia ao adultério, às separações e relações homoafetivas. Realmente, o ambiente sociocultural não favorece a construção familiar. Vivemos, hoje, uma mudança de época, marcada pela oscilação dos critérios de compreensão do mundo, do homem, da vida e até de Deus.

Mudança de época é, de fato, tempo “desnorteador”, pois afeta critérios de compreensão dos valores mais profundos. Entre estes critérios destacamos as visões relativistas e individualistas do comportamento humano e da família. A visão relativizada da vida e da família, é inclinada para o subjetivismo e permissivismo ético. Com efeito, em matéria de costumes, de sexualidade, de matrimônio, estamos realmente numa sociedade permissiva, na qual são exaltados valores subjetivos ou parciais, não provados no plano ético.

Entre eles, a liberdade individual elevada a um absoluto, relativizando todos os outros valores. Esta linha de pensamento é sintetizado nas palavras do filósofo Sartre: “ O bem é aquilo que é bom para mim”. O segundo desafio é a divisão interna da família, causada por diferentes concepções religiosas e filosóficas de seus membros. Hoje, convivem numa mesma família: católicos, evangélicos, espíritas, seguidores de filosofias orientais, cultos afrodescendentes e outras tendências religiosas do momento, às vezes, causando até conflitos. Por isso, o diálogo ecumênico e religioso é fundamental no seio da família, para que haja uma convivência respeitosa, integradora e enriquecedora de seus membros. É preciso aprender com as diferenças do outro! Costumo afirmar que a melhor denúncia é o bom anúncio!

É preciso anunciar, com ardor, coragem e vibração, o evangelho da família com o testemunho de vida. Porquanto, “o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então, se escuta os mestres é porque são testemunhas” (São Paulo VI) . A vida exemplar de muitos casais é o melhor anúncio da boa nova da família! Quantas famílias vivem felizes! Quantos casais vivem relacionamentos encantadores! Quantas famílias vivem a beleza e grandeza do amor conjugal cristão! Portanto, exaltemos aquela família que deu certo e não aquela que não deu certo! Aos filhos lembramos o sentido da gratidão e carinho para com os Pais. Aos Pais recordamos que: “A maior defesa da união conjugal é o amor aos filhos”(Aristóteles). Investir na família é construir o futuro!

Por isso, amemos as famílias em nome de Cristo! Filhos e filhas, amem muito os seus pais enquanto vivem!
Parabéns a todos os Pais!
Viva o dia dos Pais!

Pe Deusdédit M. Almeida, é sacerdote Diocesano e Cura da Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá.

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