Religiões para a Paz

A Campanha da fraternidade ecumênica exalta a proeminência das religiões como instrumentos de paz na sociedade e no mundo. Porquanto, a paz é um valor universal que deve ser arduamente buscada e cultivada. Pois, não há nenhum ser humano que não se sente bem quando ao seu redor reina a paz. Bem expressou Pio XII: “Nada se perde com a paz. Tudo se pode perder com a guerra”. Com unanimidade admirável, todas as religiões ensinam a regra de ouro: ama o teu próximo como a ti mesmo.

A pessoa que ama a Deus, deve também amar o seu irmão (1Jo 4,20). Assim, esta urgente tarefa da construção da paz é um imperativo para todos os líderes religiosos e seus seguidores. Expressou o Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti (Todos irmãos): “As várias religiões, ao partir do reconhecimento do valor de cada pessoa humana como criatura chamada a ser filho ou filha de Deus, oferecem uma preciosa contribuição para a construção da fraternidade e para a defesa da justiça na sociedade” (FT, n.271). Contudo, por mais que o coração humano deseje a paz, parece que ela é um artigo raro da história humana. Especialmente na nossa época. O século XX foi chamado de “o século mais sangrento da história da humanidade”, com poucos intervalos de paz e tréguas. Esse século conheceu duas grandes guerras mundiais, a monstruosidade do holocausto, massacres tribais cruéis e muitos atentados terroristas. Oxalá, seja o terceiro milênio de mais dialogo, tolerância, unidade cristã e paz social. Afirmou o teólogo Hans Kung (Suíço): “Só haverá paz entre as religiões, se existir diálogo entre as religiões”.

O objetivo deste diálogo é estabelecer amizade, paz, harmonia, e partilhar valores humanos, morais e espirituais, em espírito de fé e de verdade. Porquanto, em todas as tradições religiosas existem elementos de fé, verdade e santificação. Entretanto, Só através do Diálogo, fecundo e frutuoso, podemos derrubar os muros das divisões e construir pontes de amizade, harmonia, fraternidade e paz. É por isso que a Campanha da fraternidade 2021 propõe o tema do diálogo, como instrumento de superação das feridas da separação e dos desentendimentos. Não podemos deixar de destacar o grande flagelo que enfrentamos na luta pela paz, que é a indústria e comércio de armas. É, sem dúvida, uma indústria de mortes! Estudos científicos apontam que quanto mais armas circulando, mais violência e mais crimes! Ora, violência chama violência! Certamente, muitas armas que estão nas mãos dos delinquentes já passaram pelas mãos de pessoas de bem.

Nos dias atuais, o mundo não pode ficar indiferente ao aumento alarmante da quantidade de armas e do seu poder devastador na sociedade, comprometendo a implantação da cultura da paz e da civilização do amor. Enfim, para os que creem, a paz é uma dádiva divina a ser recebida de Deus quando, de joelhos, oramos. Mas é, também, uma conquista contínua a ser alcançada, como bem expressou Paulo VI: “A paz não pode se limitar a uma mera ausência de guerra, resultado de um sempre precário equilíbrio de forças. Não, a paz é algo que se constrói dia após dia, na busca da ordem desejada por Deus, que implica numa forma mais perfeita de justiça entre os homens” (Populorum Progressio, 76).

Assim expressou o Papa Francisco: “cada um de nós é chamado a ser um artífice da paz, unindo e não dividindo, extinguindo o ódio em vez de conservá-lo, abrindo caminhos de diálogo em vez de erguer novos muros” (Fratelli Tutti, 286). Sonho que se sonha só é pura ilusão. Sonho que se sonha juntos é sinal de solução! Então vamos continuar sonhando e lutando por esse sonho!
Pe. Deusdédit M. de Almeida é Cura da Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá.

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