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Santidade de Charles de Foucauld (Irmão universal)

O IRMÃO UNIVERSAL, CHARLES DE FOUCAULD

Neste domingo, 15 de Maio, o Papa Francisco canonizará sete beatos (primeira etapa da canonização), entre eles está o Beato Carlos de Foucauld, conhecido mundialmente como o “Irmão Carlos ou Irmão universal”, por causa da sua admirável abertura ecumênica e dedicação aos mais pobres, exemplificado por sua bondosa presença entre os irmãos Muçulmanos (Turuagues, nômades do deserto)), no deserto do Saara. O Irmão Carlos nasceu na França, em Estrasburgo, em 15 de Setembro de 1858. Órfão aos 6 anos, cresceu com sua irmã Maria, sob os cuidados do seus avós maternos. Em 1876 é admitido nas forças armadas Francesa. Foi um militar de alta patente(oficial) e possuidor de grande fortuna. O dinheiro o conduziu para uma vida mundana e desregrada.

Por falta de disciplina, foi expulso do exército. Embora nascendo em um núcleo familiar católico, abandonou sua fé na adolescência, inclinando-se para o ateísmo e indiferentismo. Ele mesmo reconheceu em suas meditações: “Minha fé esteve completamente morta durante 12 anos”. Em 1883 ele embarca em uma perigosa exploração ao Marrocos. O testemunho de fé dos Muçulmanos desperta uma pergunta sobre Deus: “Meu Deus, se você existe, faz-me conhece-lo”.

Estudou o Alcorão e aprendeu muitas verdades importantes para sua vida.  Suas dúvidas e incertezas foram curadas em 1886, na Igreja de Santo Agostinho (Paris). Sua Sobrinha o encaminhou ao Pe. Huvelin (Paris) para uma direção espiritual. Converte-se ao cristianismo pelas mãos deste Sacerdote  que se torna seu guia espiritual. Pe. Huvelin, após ouvi-lo atentamente disse-lhe, “Ajoelha e confessa seus pecados”. Em seguida foi diante do sacrário e concedeu-lhe a sagrada comunhão. O próprio Irmão Carlos disse, após sua conversão: “Após a descoberta que fiz de Deus, não poderia mais fazer outra coisa a não ser viver só para Ele”. Depois de sua conversão viaja para terra santa onde trabalha, como jardineiro e doméstico, durante quatro anos com as irmãs Clarissas de Nazaré. Foi em Nazaré a consolidação da sua vocação:  seguir Jesus e viver como Ele. Foi em Nazaré que ele produziu grande parte dos seus escritos e suas meditações nas longas horas de adoração ao Santíssimo. Irmão Carlos é um convertido que fascina as pessoas por seu amor apaixonado por Jesus e aos mais pobres deste mundo. Em 9 de Junho de 1901 é ordenado Sacerdote na França (Viviers) e resolve partir para o deserto do Saara, norte da África, para dedicar-se, de acordo com suas palavras, às “ovelhas mais abandonadas e estar junto com os últimos”.

Fixa sua moradia entre os Tuaregues (grupo Nômade que habitava o deserto do Saara) e lá se dedica a esse grupo humano que ele chamava de “Irmãos”. A sua casa (cabana) era chamada casa da fraternidade.  Em 1916, morre assassinado, com um tiro na cabeça, por um jovem fanático de um grupo dissidente Senussitas Tuaregues.  Assim proferiu D. Edson Damián, Bispo da S. Gabriel da Cachoeira e membro da Fraternidade Jesus Caritas: “Num tempo em que a religiosidade orna-se de ruídos, balbúrdia de palavras e jogos de efeito, a espiritualidade Foucauldiana é um contraponto para quem se sente mais evangélico no silêncio da oração, na adoração silenciosa da Eucaristia, na busca do deserto, no serviço aos pobres e na defesa da vida, no anonimato inspirado na vida oculta de Jesus em Nazaré”. Bem antes do Concilio Vaticano II, Foucauld começava a praticar o que chamamos de macro ecumenismo ao afirmar: “Estou aqui não para converter os Tuaregues, mas para compreendê-los.

Acredito que o Bom Deus acolherá no céu aqueles que forem bons e honestos. Os tuaregues são muçulmanos, mas Deus receberá a todos, se merecermos.” Diante de tantos preconceitos raciais, culturais, religiosos e sociais que geram conflitos e exclusões em toda a parte, o Irmão Universal nos ensina que somos diferentes, mas profundamente iguais em dignidade e direitos. Precisamos a aprender a dialogar sem julgar, sem impor, sem condenar.  O lema da vida do Irmão Carolos era: “Gritar o evangelho com a vida”.  Aprendamos com o seu exemplo. Hoje, temos a Fraternidade sacerdotal Jesus Caritas e Irmãzinhas Jesus caritas que cultivam, no mundo, a mística espiritual e carisma do “Irmão universal, Charles de Foucauld”.

Pe. Deusdédit é Vigário Geral da Arquidiocese de Cuiabá

 

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