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Os Cristãos Católicos e a Política

Assim afirma o código de Direito Canônico: “Compete a Igreja anunciar sempre e por toda a parte os princípios morais, mesmo referentes à ordem social, e pronunciar-se a respeito de qualquer questão humana, enquanto o exigirem os direitos fundamentais da pessoa humana ou salvação das almas” (Can. 747). Fundamentado na doutrina social da Igreja e nesta orientação canônica é que os pontífices apresentam suas exortações sobre as questões sociais, políticas e econômicas para a Igreja e para o mundo. Aos críticos dos nossos Pontífices, por suas intervenções e discursos sociais, sobretudo, hoje, em relação ao Papa Francisco, recomendamos, vivamente, a leitura atenta deste dispositivo canônico, sobre o “múnus de ensinar da Igreja.” Isto porque há setores do catolicismo que questionam o engajamento social da Igreja. A participação política da Igreja se fundamentada na ação de Jesus, palavra eterna do Pai, o qual passou por este mundo fazendo o bem a todos, como diz o livro dos Atos dos Apóstolos (At 10,38).

É nesta linha de pensamento que o Papa Pio Xl (1922-39), o Papa da ação católica, afirmou: “a política é a mais perfeita forma da caridade.” É a perfeita forma da caridade porque visa o bem comum da coletividade. Esta afirmação foi repetida e reforçada pelos seus sucessores, até hoje. Esta visão social e política foi reforçada pelo estudioso francês, Pe. Lembret, o qual deu a melhor definição de política em sentido amplo: “a política é ciência, a arte e a virtude do bem comum”. Por isso, os cristãos, não só podem, mas devem buscar sempre um envolvimento e participação política para a transformação da sociedade e do mundo. Assim, qualquer iniciativa social que favoreça o bem comum, se transforma em ação política. Por exemplo: um abaixo-assinado ou manifestações pacíficas para pedir creches, escolas, segurança, asfalto, saneamento básico e urbanização da comunidade, são, também, atividades políticas em sentido amplo.

É precisamente por isso, que a Igreja, continuadora da missão de Jesus, deve continuar trazendo sua reflexão para a atividade política e paz social, em vista do bem de todos. Disse São Paulo VI: “a Igreja Católica é perita em humanidade”, devido ao seu vasto conhecimento da história humana e longa convivência universal com várias civilizações políticas, ensinando e aprendendo. Neste sentido a Igreja Católica se apresenta com muita credibilidade, para ser uma instância conscientizadora e orientadora na construção de uma sociedade mais humana, limpa, convivente, fraterna e solidária. Para tanto, a Igreja deve continuar contribuindo com sua reflexão para o fortalecimento do processo democrático. Porque, entendemos que a democracia é um marco civilizatório nas sociedades humanas. É um bem para a coletividade. Entendemos que: “os males da democracia, devem ser combatidos com mais democracia e participação popular”.

Recentemente a Comissão Episcopal Pastoral para a ação sóciotransformadora, ligada à CNBB, lançou um caderno, com o título: “Encantar a política”, para auxiliar na formação da consciência crítica e política das comunidades e fiéis cristãos. Recomendo vivamente sua leitura. Este subsídio é encontrado nas livrarias Católicas. Em relação a política partidária, a Igreja não se identifica com nenhum projeto político partidário. A nossa Igreja não tem bandeira partidária. Porém, incentiva a participação e envolvimento dos seus leigos e leigas. Eles são os membros da Igreja no coração do mundo. Os leigos e leigas são nossos atores políticos. São eles que devem levar os valores evangélicos, cristãos e éticos para dentro dos partidos e não trazerem os partidos para o interior da Igreja. O candidato, seja de que partido for, deve levar consigo para dentro do parlamento, os valores éticos e cristãos, os quais, devem iluminar sua jornada política e seu procedimento.

Não queremos políticos que representem a Igreja. Queremos políticos limpos, honestos competentes e trabalhadores, em todas as esferas de governo, representando a sociedade como um todo. Assim nossa orientação política visa a formação do eleitor consciente. É uma grande verdade a máxima: “voto não tem preço. Tem consequências”! Orientamos para que os cristãos não anulem o voto e nem votem em branco. Isto contribui para manter as coisas como estão.

É necessário escolher alguém! Não devemos abrir mão do direito de votar a fim de mudar para melhor ou evitar males maiores. Lembrem-se: votar é um ato de cidadania e de amor à Pátria. A fé cristã deve debelar os costumeiros “tons de guerra” que emolduram todas a eleições. Disse o presidente da CNBB: “Não é atitude cristã promover ataques que simplesmente buscam destruir aqueles de quem se discorda. Também não é postura condizente com o ensinamento de Jesus de procurar defender privilégios, interesses egoístas, impondo ainda mais sacrifícios para quem já tanto sofre” (D. Walmor).

Deusdédit é Cura da Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá.

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