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Advento, uma nova oportunidade para nossa humanização

Advento, uma nova oportunidade para nossa humanização

Advento significa vinda, chegada, do verbo latino advenire, chegar a. Do ponto de vista litúrgico é o início do ano e a preparação para o Natal. Tempo de avaliação da própria existência, de arrependimento, de conversão e de expectativa, de revisão do caminho de nossa fé em vista da celebração do nascimento de Jesus. Para muitos é também um momento especial, tanto em termos familiares quanto em termos comunitários e eclesiais, para um novo revigormento espiritual.
Diante da ansiedade e da euforia que precedem os preparativos da festa, convém ao cristão interrogar-se como está seu compromisso de fé e de engajamento na vida familiar, eclesial, pastoral, social e política nas pegadas do peregrino de Nazaré. Interrogações que podem evitar afogar-se ou asfixiar-se na agitação febril que costuma tomar conta do oceano em que navega nossa frágil embarcação existencial. As ondas provocadas pelo mercado mundial impedem, não raro, distinguir o farol e o porto de nossa meta final. São muitas luzes que se acendem, ofuscando, muitas vezes, a singela estrela da mangedoura de Belém.
A preparação para a celebração de cada Natal é uma oportunidade única para o acolhimento do Reino de Deus, onde todos, após a passagem pela terra estrangeira, como romeiros, migrantes e peregrinos deste vale de lágrimas e de sofrimento, são chamados a ser cidadãos da pátria definitiva. Natal é o reconhecimento de que o planeta Terra constitui a casa de todo ser vivo, vegetal, animal e humano, a biodiversidade e a antesala do Reino eterno, cujo alicerce ergue-se a partir das coordenadas da trajetória da humanidade, não acima, nem fora, nem além, mas dentro de nossa históroia pessoal e coletiva. O grande Natal tem raízes na história, mas não se esgota no aqui e agora da mesma.
A celebração natalina nos convida, ao mesmo tempo, a concentrarmo-nos sobre nós mesmos e sobre o encontro com Deus, para descentrarmo-nos no amor ao próximo. O êxodo de si mesmo em favor dos outros requer raízes profundas na intimidae com o Pai, como demonstra a prática de Jesus. A oração precede e reforça a caridade.
Diga-me como tu rezas que te direi como tu vives; diga-me como tu vives que te direi como tu rezas. Quem é incapaz de centrar-se em Deus e em sua própria alma, será incapaz de descentrar-se em direção ao próximo. Isso porque a palavra viva, criativa, verdadeira e libertadora é filha do silêncio diante do mistério divino, não da profusão dispersiva das palavras humanas.
A mudança pessoal, a qual o advento nos provoca, se complementa com uma conversão social, pois o reencontro consigo mesmo e com Deus nos conduz necessariamente ao compromisso com os pobres, os excluídos, os indefesos, os doentes, os mais necessitados, os últimos, como tem insistido com tanta frequência o Papa Francisco.
Isto quer dizer que a oração, a meditação e a contemplação – quando profundas e verdadeiras – conferem suporte à caridade. E esta representa a expressão mais viva e verdadeira do cristianismo ativo, como mostra o poema da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 13,1-13). Sem a prática concreta do amor solidário não passaríamos de sinos ruidosos ou címbalo estridentes, afirma o apóstolo. Ou latas rolando no asfalto: quanto mais vazias, mais barulho fazem!
Não podemos esquecer, além disso, que semelhante conversão social tem implicações políticas. De fato, o cristão não paira angelicamente nas nuvens, acima dos embates e contradições da vida cotidiana. Ao contrário, como pessoa humana dentro de um contexto histórico concreto, seu modo de agir, querendo ou não, terá sempre consequências de ordem política. Tudo o que dilacera o tecido social, dilacera igualmente a Igreja e seus fiéis. O mito da neutralidade há muito está morto e sepultado!
Dessa forma podemos definir o Natal como esperança para os desesperançados, Boa Nova para os que se desiludiram completamente com os projetos humanos e das formulações político-partidárias, Luz para a imensa multidão do “sem” que habita as periferias e porões da sociedade moderna e pós moderna.
Os três reis magos, guiados por uma estrela, provenientes do Oriente, talvez sejam os protagonistas dessa nova esperança, a qual independe de sexo, cor, raça, língua, povo, credo, ideologia ou nação. Da mesma forma que a estrela e os magos, também é do Oriente que nos chegam os primeiros raios da aurora, aunciando o Astro-Rei, o novo sol que nasce Menino na gruta de Belém, mas já traz em si o esplendor do Reino de Deus, onde a compaixão, a misercicórdia e o perdão revestem toda lei e o julgamento.
No advento do Messias, prevalece o primado de que “quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4,8). Podemos concluir com as palavras de Bruno Forte: “A esperança da vida sem lágrimas e sem ocaso, que plenifica o coração dos homens, é também a esperança de Deus” (In Gesù di Nazaret, storia di Dio, Dio della storia, Ed. Paoline, Napoli, 1981, pag. 280).

Artigo escrito por Pe. Nelito Dornelas 

Fonte: Pe. Deusdédit

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