Um dogma cuiabano

Há 169 anos, o Papa Pio IX proclamava o dogma da “Imaculada Conceição”, na presença de uma multidão de fiéis que celebravam a definição de que a Virgem Maria, “no primeiro instante da sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original”. Era 08 de dezembro de 1854, data que, por decisão do Papa, os católicos deveriam guardar todos os anos como solenidade.

Em várias regiões do Brasil hoje é feriado. Em Cuiabá, 08 de dezembro tornou-se recesso apenas em 2012. A história da capital mato-grossense com a Imaculada Conceição, contudo, é mais antiga. Foi Dom José Antônio dos Reis, primeiro bispo da diocese, um dos que escreveram ao Papa, em 1849, solicitando a definição dogmática. Aliás, isso aconteceu porque o próprio Papa havia escrito a Dom José, pedindo-lhe informações de como os cuiabanos viviam essa devoção. Eis um trecho de sua resposta à Santa Sé:

“[…] Nós humildemente respondemos, e respeitosamente declaramos a V. Santidade, ser nosso íntimo e ardente desejo, vividíssimo sentimento do Nosso coração e firmíssimo pensamento da Nossa inteligência que V. Santidade, como chefe que é da Santa Igreja, e Supremo juiz em matéria de fé, solenemente defina, como dogma da Igreja Católica, que a Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria foi, de todo em todo, imaculada e inteiramente imune de toda mancha do pecado original”.

A devoção cuiabana à Imaculada Conceição começou por volta de 1750, graças a um bandeirante, o sr. Francisco Barreto Prado, que trouxe as primeiras imagens de Nossa Senhora da Conceição para cá. Nessa época, Cuiabá acabara de se tornar Prelazia, deixando de ser apenas uma paróquia da diocese do Rio de Janeiro, em 1745.

Mas, afinal, o que é a “imaculada conceição”?

Trata-se de um privilégio que o Senhor Jesus quis dar à Virgem Maria, preservando-a, desde a sua concepção, livre do pecado. Isso significa que Maria é aquela mulher prometida por Deus, em Gênesis, em quem Ele colocaria inimizade contra a serpente para gerar o Salvador. Cada batizado está unido a Jesus, como filho da Mulher, para esmagar a cabeça do dragão. A devoção à Imaculada Conceição consiste, pois, em recorrer àquela que nunca pecou, a fim de socorrer os pobres pecadores contra o inimigo de Deus. O devoto da Virgem Maria coloca-se na escola dela para aprender a ser como Jesus em suas palavras e ações.

Sem dúvida, é uma devoção que precisa ser celebrada não apenas como um dogma católico, mas como um dogma cuiabano, seja pela questão histórica, seja pela questão espiritual. Afinal, a Imaculada Conceição faz notar como Jesus preservou sua mãe da pior violência que é o pecado. Nesta data especial, possa a Virgem Santíssima livrar estas terras de toda mancha do pecado, especialmente, da mácula contra o corpo feminino, preservando as mulheres de qualquer agressão, “imaculadas” de toda violência.

Padre Renan Cunha, diretor geral da Rádio Bom Jesus FM

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