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Natal dos pobres

Em meio às luzes, músicas e troca de presentes que também caracterizam a temporada natalina, é imperativo lembrar da realidade enfrentada por milhões de brasileiros que vivem à margem da sociedade. O Natal dos pobres e desassistidos revela não apenas a fragilidade alimentar do Brasil, mas também a necessidade urgente de solidariedade e caridade para enfrentar os desafios que persistem em nossa nação.

A vulnerabilidade alimentar do país é um problema crônico que se acentua ainda mais durante as festividades natalinas. Enquanto muitos se deliciam com banquetes fartos, há uma parcela significativa da população para quem a ideia de uma refeição substancial é um luxo inatingível. A desigualdade socioeconômica e as disparidades regionais aumentam a fragilidade alimentar, deixando milhões de brasileiros em situação de insegurança nutricional, assim como apontado pela ONU, no Mapa da Fome. 

A caridade não é apenas um gesto benevolente, mas uma resposta urgente às necessidades prementes de muitos de nossos irmãos. A doação de alimentos, a participação em campanhas beneficentes e o voluntariado em organizações de assistência social, são maneiras tangíveis de fazer a diferença nas vidas daqueles que enfrentam não só necessidades espirituais, mas também a material.

O Natal é época para refletir sobre o verdadeiro espírito de solidariedade e caridade. “Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias”, diz a oração Magnificat. E à medida que nos aproximamos do ano que há de vir, é essencial realizarmos um compromisso, um pacto coletivo com a esperança. 

A esperança vai além do otimismo passageiro, é a convicção de que, ao agirmos juntos, podemos superar os desafios que se apresentam. O próximo ano precisa ser de esperança! Temos o dever moral de trabalhar em conjunto para criar políticas e programas que abordem as causas fundamentais da insegurança alimentar.

O Natal é oportunidade para construir uma sociedade mais justa e igualitária. A esperança para 2024 reside na capacidade de aprender com as adversidades e promover mudanças significativas em nós.  Ao nos aproximar do Natal é crucial lembrar que a caridade e a esperança não são efêmeras, mas devem moldar nosso compromisso ao longo do ano. 

Somente através da caridade ativa, da solidariedade duradoura e da esperança transformadora podemos verdadeiramente enfrentar os desafios de um novo ano. E que o espírito do Natal leve as pessoas de boa vontade a buscar a verdade, praticar a justiça e semear a paz por onde elas passarem. 

Dom Mário Antonio da Silva é arcebispo metropolitano em Cuiabá.

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